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Violência cai na Bahia, mas jovens negros continuam entre as principais vítimas

Publicada em 03/09/2026 às 10:49h

por Tribuna da Bahia


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 (Foto: Foto: Divulgação)

A Bahia registrou uma queda expressiva das mortes violentas no primeiro semestre de 2026, mantendo a trajetória de redução dos crimes contra a vida observada nos últimos anos. O avanço, porém, convive com uma realidade que permanece concentrada principalmente entre homens jovens e negros, sobretudo nos territórios periféricos.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), as mortes violentas - que incluem homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte - caíram 20,5% no estado entre janeiro e junho, na comparação com o mesmo período de 2025.

Em Salvador, a redução chegou a 29,7%, enquanto a Região Metropolitana de Salvador (RMS) apresentou queda de 29,6%. Ao mesmo tempo, o Atlas da Violência 2026 mostra que a Bahia registrou, em 2024, uma taxa de 101,8 homicídios para cada 100 mil jovens de 15 a 29 anos, a segunda maior do país, atrás apenas do Amapá, com 114,7.

Os dados da SSP-BA mostram uma melhora recente e significativa nos indicadores de segurança. Já o Atlas da Violência, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, permite observar o problema por uma perspectiva mais ampla. Em 2024, a Bahia registrou 3.440 homicídios de jovens entre 15 e 29 anos, o maior número absoluto do país. A taxa de 101,8 mortes por 100 mil jovens também ficou muito acima da média nacional, de 42,2. O contraste é reforçado pela evolução da última década: enquanto a taxa de homicídios de jovens caiu 33,9% no Brasil entre 2014 e 2024, na Bahia houve aumento de 6,4%.

A redução mais recente, portanto, não deve ser desconsiderada, mas também não encerra o problema. Em 2025, Salvador registrou 706 mortes violentas, o menor número em 25 anos e 22,9% abaixo do resultado de 2024. Na Bahia, foram 3.884 ocorrências, redução de 13,1%, segundo a SSP-BA. A sequência de resultados positivos indica uma mudança importante no cenário da segurança pública, mas os dados sobre a juventude mostram que a violência ainda se concentra de maneira desigual e que a população jovem permanece especialmente exposta.

Jovens negros seguem no centro da violência:

O recorte racial torna essa desigualdade ainda mais evidente. Um estudo do UNICEF sobre os homicídios de crianças, adolescentes e jovens em Salvador, com dados de 2023, identificou 1.103 homicídios na capital. Desse total, 467 vítimas, o equivalente a 42,3%, tinham até 24 anos. Entre os adolescentes e jovens assassinados, aproximadamente nove em cada dez eram negros. Para Helena Oliveira, chefe do escritório do UNICEF em Salvador, o resultado evidencia a dimensão racial da violência. “Esta é mais uma evidência do racismo na nossa sociedade”, afirmou. Segundo ela, é preciso implementar políticas públicas que considerem os determinantes raciais nas medidas de prevenção e proteção de meninas e meninos.

O perfil das vítimas também é predominantemente masculino. De acordo com o Atlas da Violência 2026, dos 19.801 jovens de 15 a 29 anos assassinados no Brasil em 2024, 18.545 eram homens. Entre adolescentes de 15 a 19 anos mortos naquele ano, as armas de fogo foram utilizadas em 84,1% dos homicídios. O cenário revela uma combinação de fatores que se repete nos territórios mais vulneráveis: juventude, masculinidade, desigualdade social, raça e exposição à violência armada.

A concentração também pode ser observada no território. Levantamento do Instituto Fogo Cruzado registrou 656 tiroteios ou disparos de arma de fogo em Salvador e na Região Metropolitana no primeiro semestre de 2026. Foram 637 pessoas baleadas, sendo 487 mortas e 150 feridas. Salvador concentrou 473 dessas ocorrências. Embora o número de tiroteios tenha caído em relação ao primeiro semestre de 2025, quando foram registrados 839 episódios, aumentou a participação das ações e operações policiais: 366 ocorrências, ou 56% do total, aconteceram durante intervenções das forças de segurança.

 




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