

A possibilidade de exploração dos minérios conhecidos como "terras raras" na área de um vulcão extinto há 120 milhões de anos no Sul de Minas Gerais tem potencial para colocar o Brasil na posição de protagonista da transição energética. Este tipo de material ganhou importância estratégica em todo o mundo e virou, inclusive, alvo de disputas comerciais entre China e Estados Unidos.
Terras raras" são um conjunto de 17 elementos químicos essenciais na fabricação de compostos usados em tecnologias de energia limpa (veja infográfico abaixo). Apesar do nome, eles são abundantes na natureza. O termo “raras” se refere à dificuldade de separá-los dos minerais onde estão presentes.
O Brasil tem a segunda maior reserva de "terras raras" do mundo, com 21 milhões de toneladas, o equivalente a 23% do total global, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). Projetos de extração desses minérios já estão em andamento em Goiás e Minas Gerais, mas há jazidas também no Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo e Roraima.
A origem desse potencial todo é a rocha formada na época ativa do vulcão, que é alcalina — um tipo mais frágil e mais suscetível às ações do tempo, que ao longo de milhões de anos, se transformou em argila rica em íons de "terras raras".
A região também se destaca pela qualidade do minério. Enquanto a média global de "terras raras" na argila é de 1 mil ppm a 1,5 mil ppm (partes por milhão) por tonelada de óxidos de "terras raras" totais (TREO), na caldeira de Poços de Caldas este índice é 2,5 mil ppm/t, com um aproveitamento de 70% na sua separação do minério, contra 40% da média global.
A jazida da caldeira de Poços foi identificada em 2012 e comprovada por testes realizados em laboratórios do Rio de Janeiro e do Canadá, mas apenas em 2022 duas empresas australianas avançaram nos estudos e processo de licenciamento necessários para a extração dos minérios, que deve ter início entre 2026 e 2027.